O escritor Ariel Dorfman trabalhava para o presidente Salvador Allende quando, em 11 de setembro de 1973, o golpe liderado pelo general Augusto Pinochet derrubou a democracia no Chile e instaurou uma das mais sangrentas ditaduras da América Latina. Exilado por dezessete anos, Dorfman sonhou muitas vezes com Pinochet, sempre de luvas brancas. Mas assim como milhares de vítimas do general ele sabia que, por debaixo das luvas, as mãos do ditador estavam maculadas de sangue.Em outubro de 1998, com a prisão do ex-ditador em Londres, Ariel Dorfman tornou-se porta-voz dos que exigiam justiça. Publicando artigos nos grandes jornais do mundo, em viagens a Londres e por meio da mobilização de artistas e escritores, seguiu o caso até a justiça chilena declarar a insanidade mental do réu, em julho de 2001.Augusto Pinochet não foi nem será condenado, mas a democracia chilena se consolidou, torturadores foram punidos, e está mais perto o dia em que os crimes contra a humanidade poderão ser julgados em qualquer país. O longo adeus a Pinochet recupera um capítulo traumático da história da América Latina, a ser relembrado pelas gerações atuais e contado às futuras.